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DesAparecida no preto
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 139cm . largura: 107cm . profundidade: 4cm
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desAparecida no ar
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado caixa de acrilico
altura: 40cm . largura: 35cm . profundidade: 8cm. 2005
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desAparecida no ar
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado caixa de acrilico
altura: 40cm . largura: 35cm . profundidade: 8cm. 2005
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desAparecida no ar (detalhe)
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado caixa de acrilico
altura: 40cm . largura: 35cm . profundidade: 8cm. 2005
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desAparecida no azul
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 82cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm. set 2005
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desAparecida no rosa - detalhe
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 82cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm. 2005
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desAparecida no verde - detalhe
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 82cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm
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desAparecida no véu
desenho digital impresso em tecido com bordados e montado
como cortina
altura: 160cm . largura: 120cm . profundidade: 2cm
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desAparecida no véu
(detalhe)
desenho digital impresso em tecido com bordados e montado
como cortina
altura: 160cm . largura: 120cm . profundidade: 2cm
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desAparecida no verde - detalhe
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 82cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm. 2005
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Coroa desAparecida no laranja
- detalhe
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 85cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm. 2005
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coroa desAparecida no azul -
detalhe
desenho digital, impressão em tecido com bordados
e montado em chassi
altura: 85cm . largura: 64cm . profundidade: 4cm. 2005
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DesAparecidas
Nesta inédita série, André
ANILINA Malinski, em impressões sobre tecido, bordados
e aplicações, lida com a indumentária da
Padroeira do Brasil - o Manto e a Coroa. Ícones da cultura
religiosa nacional recebem farto tratamento pop, ingênuo
e de humor sensível, características do trabalho
de ANILINA em que "fé e sentimento puro" é
fonte inspiradora e criativa. As lembranças são
dos altares familiares, dos pios, dos anjos e santos; catecismos
matutinos, medos e esperança. Memória de relíquias
de povos tementes a Deus, de culturas que misturam religiosidade
e crenças ancestrais. Há o refinamento dos bordados,
o brilho das lantejoulas, a paleta "fashion", o cuidado
profissional. As cores escolhidas, chapadas, em eloqüentes
contrastes, as impressões mecânicas - plotagens,
que se completam com hábil bordado, muitas vezes apenas
sugerem detalhes do Manto e da Coroa. Em todo o conjunto é
apurado o senso estético e o fazer técnico esmerado.
E entre esses dois universos, há o carnaval telúrico,
a apoteose popular, maracatus de raiz, ritos campais e costumes
de antanho. Entretanto, na ausência de Aparecida, resta
a incômoda sensação do supérfluo, do
ouro de tolo, do oco. E mais, o cerne moral da santa popular se
perdeu na rotina estapafúrdia dos jornais, na incômoda
atualidade, na valorização do externo. Uma singular
metáfora do uso do poder. É a arte brasileira olhando
para o umbigo do povo e tudo o que ele tem de melhor para, de
forma absolutamente não panfletária, mostrar uma
atualidade de 500 anos, de descaminhos e de oportunismos baratos.
É conteúdo brasileiro e
linguagem universal que, sem vergonha da própria existência,
vassoura preconceitos, investe na deslavada alegria do Brasil
em detrimento a sisudez acadêmica, formolizada e mal-humorada
dos mestres, lacaios do pré-estabelecido pela corte.
Em nada surpreende - portanto - a grande
empatia que "As desAparecidas" provoca no espectador.
Como repara o sábio Pietro Bardi em sua História
da Arte Brasileira, "...expressão pura da espontaneidade
popular, desejosa em introduzir a arte em todos os aspectos de
sua vida cotidiana". E, sob todos os aspectos,não
só nesta série que nos apresenta ANILINA, mas no
decorrer de sua organizada produção, atenta-se para
a incorporação de influências remotas e recentes,
uma colossal colcha de retalhos. A cara do Brasil.
João Henrique do Amaral, inverno 2005.

Texto para o "JORNAL DO ESTADO" de Curitiba para 15/01/2007
e 22/01/2007
Nilza Procopiak
ARTE CONTEMPORÂNEA
Duchamp, Dadaísmo e Anilina
Um dos pilares da arte do século
20 que ainda sustenta uma grande parte da produção
artística contemporânea - o deslocamento - tal como
hoje o conhecemos, surgiu com Marcel Duchamp. E André Malinski,
o Anilina, é um dos artistas paranaenses que mais explora
o deslocamento em suas obras.
Antes, não se deve esquecer que o movimento precursor que
possibilitou o surgimento de Duchamp foi o Dadaísmo e que
Marcel era, em essência e em procedimentos, um dadaísta,
embora o termo não lhe seja muito empregado em função
de seu envolvimento com a arte conceitual. Entretanto, sempre
será uma incógnita supor como teria sido Duchamp
sem a raiz dadaísta.
Citando Karin Thomas: "Como uma total rebelião contra
as formas culturais do desgastado convencionalismo político,
social e artístico, surgiu em Zurique, na Suíça,
em 8 de fevereiro de 1916, na tribuna dos imigrantes do Cabaret
Voltaire, um primeiro movimento Dadá que abrangia todos
os gêneros artísticos e que em pouco tempo teve repercussão
internacional. O nome Dadá, aplicado a esta corrente artística
destrutivo-satírica, apareceu mais ou menos casualmente
quando dois artistas do grupo, Richard Huelsenbeck e Hugo Ball,
buscando um nome para seu teatro naquela cidade, abriram ao acaso
um dicionário alemão-francês e tropeçaram
com esta palavra." Diccionario del Arte Actual. Editorial
Labor S.A. Barcelona.1982.
A propósito, Dadá, em francês, quer dizer
"cavalo", na linguagem infantil, e "idéia
fixa" no sentido figurado, termos que não estão
em desacordo com este movimento artístico. E, explicando
o "mais ou menos casualmente" citado acima, Norval Baitello
- o maior estudioso brasileiro do Dadaísmo - prova, ao
contrário do que muita gente pensa, que uma linha lógica
de significados pode ser traçada nas obras Dadá
através de análise de semiótica da cultura.
Continua Karin: "A contradição entre a práxis
da vida e o mundo idealizado da arte tradicional se tornou insuportável
para os representantes Dadá, marcados pela emigração
e pelo protesto contra a Primeira Guerra Mundial. Por isso derrubaram
a torre de marfim de uma arte harmonicamente do belo e proclamaram
em seu lugar a anti-arte do protesto, do choque, do escândalo,
com ajuda dos meios de expressão ironico-satíricos."
Voltando ao francês Duchamp: "Primeiro foi sua pintura
Cubo-Futurista intitulada 'Nú descendo a escada', exibida
no Armory Show, de 1913, em New York, que puxou o tapete sob os
pés do mundo da arte. Logo depois, ele duplicou o choque
expondo os ready-mades, objetos triviais do cotidiano que expressavam
sua filosofia niilista de anti-arte: uma 'Roda de Bicicleta' montada
num banquinho de madeira, ainda em 1913; um 'Porta-garrafas',
em 1914; culminando com o urinol exposto em 1917 sob o título
'Fonte'." Do livro 20th Century Art - Museum Ludwig Cologne.
Taschen, 1996.
"Foi principalmente Duchamp, em sua exposição
de 1919, na Grand Central Gallery, New York, quem ensaiou com
seus ready-mades novos modos de produção artística
ao proclamar como obra de arte, com o fantasioso título
de 'Fonte' um produto manufaturado em série como é
um vaso sanitário. Neste ponto, a arte contemporânea
assume uma nova definição e, baseando seu valor
na referência à realidade, determina sua função.
O testemunho de referência à realidade vivencial
chega a ser mais importante que o produto material acabado da
produção artística. Ele dizia de seu ready-made:
'É um objeto que, pela simples escolha do artista, se eleva
à dignidade de objeto artístico'." , segundo
Karin no livro citado.
Entretanto, porque há controvérsia, cito Dawn Ades,
em O Dadá e o Surrealismo, (Editorial Labor do Brasil.
1976) com grifo meu: "Duchamp só denominou esses objetos
ready-made na América, onde começou a destacar outros
objetos manufaturados. O próprio Duchamp quis deixar bem
claro que não se tratava de transformá-los em objetos
de arte". Aqui entra uma questão de hábito
em relação aos objetos cotidianos, alheia ao nosso
tema e até porque, como dadaísta, Duchamp tinha
o direito e o dever de se contradizer. Sem falar que controvérsias
podem ser explicadas pelo transcorrer do tempo, pela aceitação
do artista perante crítica e público e, principalmente,
pelo amadurecimento pessoal de Duchamp que fez com que ele fosse
modificando seus próprios enunciados ao longo de sua vida.
Marcel morreu em 1968, em Paris, sendo inegável, já
naquela época, o patamar do conceitual como arte e o gatilho
que viria a acionar a questão do deslocamento na arte.
Há um deslocamento de sentido que sempre gosto de citar,
inclusive porque é uma obra de Picasso e como tal não
deixa de ser um exemplo perfeito do que acontece quando formas
conhecidas são arranjadas em nova disposição
remetendo a outros significados. Este é o caso da "Cabeça
de Touro", na qual ele deslocou partes de uma bicicleta -
numa analogia, a princípio, oculta - para que fossem reconhecidas
no contexto de outra montagem, onde desempenham perfeitamente
o papel da cabeça do animal, sendo o guidom os chifres
e o selim seu crânio.
Interessante notar que aqui as formas, uma vez deslocadas são
imediatamente relacionadas ao touro, sendo necessário um
certo esforço para percebê-las como peças
componentes de uma velha bicicleta. Este é realmente o
jogo de Picasso, quase na forma de um chiste, de uma charada que
o espectador resolve, até porque a atração
que o trabalho suscita reside na descoberta, por parte de quem
olha, da "sacada" inteligente do artista que se repete
na do observador. Este é justamente o ponto em que a obra
de arte se complementa, interagindo com olhar e mente do fruidor.
Entretanto, o que vemos nos trabalhos de André Malinski
é diferente e muito mais sutil e, paradoxalmente, complexo.
Vinda numa seqüência de obras motivadas pelo estudo
da sacralidade religiosa, a obra de Anilina é citada, segundo
proposição do crítico de arte João
Henrique do Amaral: "Se a memória remete aos altares
familiares, aos piedosos anjos e santos, rituais, catecismos,
rezas e esperança, o acabamento esmerado, o rebordado refinado,
as cores 'fashion', a manufatura cuidada de atelier de designer
nos trazem para uma produção cosmopolita, chic,
mas não só isso. Há o carnaval, o apoteótico,
o popular em toda sua carga de terra, de raiz de costumes imemoriais
. Há a 'ausência'. Há a incômoda sensação
do supérfluo, do brilho, do oco. Há a sensação
de atualidade, da estapafúrdia rotina de jornais, valorização
do externo, do oco 'desaparecida' santa popular, para ser uma
expressão de cultura pop."
O próprio enunciado acima já fornece pistas para
que se possa ligar Malinski diretamente ao Dadaísmo, movimento
artístico destrutivo-satírico que surgiu em 1916,
na Suíça. Explico que o caráter destrutivo
relacionado à arte Dadá nunca teve ligação
com atos violentos contra pessoas ou instituições.
O que ocorria, principalmente depois que o movimento se estabeleceu
na Alemanha, eram atos artísticos, como vezes em que o
povo em geral era convocado com urgência para se reunir
numa praça ou em frente a um Banco do Governo. Numa época
de tensão social, as autoridades ficavam apreensivas e
convocavam a polícia com medo das manifestações
mas quem comparecesse não veria absolutamente nada, a não
ser um ou outro artista do grupo vagando por ali, observando quem
tinha vindo, estes sim, completamente equivocados ou enganados.
O caráter irônico do choque era alcançado
também através da subversão dos meios tradicionais
de expressão, tais como a imprensa, o livro, o teatro.
Um exemplo famoso seriam as poesias que Hugo Ball apresentava
no "Cabaret Voltaire", local de encontro do grupo. Ao
retirar o significado das palavras reduzindo-as a meras vocalizações,
o artista fez com que, pela primeira vez, desde a pré-história
da humanidade, se destacasse a importância do som gutural,
completamente desconhecido - ou esquecido - pelos séculos
de civilização e significação da linguagem.
Não é preciso dizer que o teatro de vanguarda imediatamente
retomou este uso do som primal.
O deslocamento que Anilina executa passa por todos estes requintes
de expressão, desde equivalentes aos utilizados pelos dadaístas,
somando-se à montagem do touro de Picasso e aproximações
à obra de Duchamp, até um deslocamento que lhe é
peculiar, o da imagem que ilustra esta coluna. São versões
da santa que se resumem até onde é possível
a redução. O estranhamento causado pelo recorte
é uma configuração que retira a sacralidade
da obra ao mesmo tempo em que a repõe pelo número
de vezes com que a imagem é repetida. Por outro lado, esta
imagem - em relação ao observador - se afasta e
se aproxima ao mesmo tempo em que é diminuída e/ou
aumentada. A criatividade infinda do artista, que exigiria muitas
palavras mais - só lembrando aqui o paralelo entre a repetição
da imagem e das rezas dirigidas à santa
ARQUIVO ARTE CONTEMPORÂNEA 320 15
jan Duchamp
DIZERES DA FOTO: "Miguel Jorge" obra de André
Malinski
CRÉDITO DA IMAGEM: DIVULGAÇÃO/MUVI

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