MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Gabriela Picoli
O Estado Amoroso e a Melancolia
Exposição conjunta com Luciano Zanette
Goethe-Institut Porto Alegre / Solar do Barão - Curitiba/PR - 2005
Outros trabalhos de
Gabriela Picoli


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Outros artistas no MUVI

Gabriela Picoli

Nascida em 1975, em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) onde vive e trabalha.

Gabriela Picoli fez sua graduação em desenho no Instituto de Artes da UFRGS, mas desenvolve trabalhos com fotografias, objetos e instalações.

Em 1998 inicia o projeto Comfluência, juntamente com Luciano Zanette, Jerri Rossato Lima, Marcio Quadrado e Simone Bernardes.

Gabriela Picoli expôs no Centro Cultural São Francisco (PB), Galeria Modernidade (RS), Goethe-Institut Porto Alegre (RS), Centro Municipal de Cultura (RS), Centro de Artes Visuais Tambiá (PB), Casa de Cultura Mário Quintana (RS), Salão de Arte Cidade de Porto Alegre (RS), Casa da Ribeira (RN), Salão Nacional Victor Meirelles (SC), Pinacoteca Barão do Santo Ângelo (RS), Pinacoteca FEEVALE (RS), Bienal Inter-Universitária Brasil Chile França (FR), Second Salon and Exchange of Postcard (US), Salão do Jovem Artista (RS).

 

 

 

Currículo


 

Fotografias da exposição no Goethe - RS
Instalação composta por:
10 fotografias coloridas, 02 objetos de madeira,
sistema de áudio estéreo e cabo elétrico.




 

Fotografias da exposição no Goethe - RS
Instalação composta por:
10 fotografias coloridas, 02 objetos de madeira, sistema de áudio estéreo e cabo elétrico





Fotografias da exposição no Solar do Barão - Curitiba - PR

 

 
Do estado amoroso à melancolia e vice-versa

"O que repercute em mim é o que aprendo com meu corpo..."
Roland Barthes

Fotos. Objetos. Textos literários. Estes são os componentes eleitos por Gabriela Picoli e Luciano Zanette para esta sua instalação "O Estado Amoroso e a Melancolia". (1)

Uma instalação, entretanto, não é apenas dispor elementos em um determinado espaço. Há uma ordem relacional que também a compõe: aqui é a conversa das fotos, dos objetos e textos entre si. A relação de cada um com seu outro e a relação de todos com o espaço.

A instalação sempre é uma ocupação que altera seu lugar de apresentação. Nela há um viés experimental em sua efetivação pelo propositor e em sua percepção pelo outro. O artista realiza escolhas e rejeições definindo os lugares e posições dos objetos e este circuito será experimentado pelos corpos que o irão percorrer.

Gabriela Picoli que tinha lido "Fragmentos de um Discurso Amoroso", de Roland Barthes, e Luciano Zanette que fizera a leitura de "Sol Negro", de Julia Kristeva, passaram a produzir alguns trabalhos e perceberam que havia uma possibilidade de trama entre eles. Para ainda mais adensá-la escolheram alguns textos do escritor e fotógrafo Jerri Rossato Lima que nos são apresentados como possibilidade de escuta dupla. Polifonia para provocar polissemias.

Quanto às fotografias de Gabriela, elas têm como elemento dominante o corpo humano. Este conjunto de imagens teve seus limites determinados por escolhas formais da artista. Elas nos lembram de como este corpo é moldável, adaptável e sempre rico em possibilidades. Às vezes, é um corpo passivo que sofre intervenções na busca de assumir outra forma (quando mantém impressas na pele as marcas destas interferências). Outras vezes, é ativo e acolhe objetos, desenvolve gestos e assume posições.

Luciano Zanette realiza um jogo com as formas. O objeto maior, nascido da observação dos genuflexórios das igrejas, foi torcido, convertido e re-inventado. O que temos agora é um outro objeto, porém ainda podemos reconhecer seu princípio: o estrado onde os fiéis se ajoelham para orar. Mas aqui os dois lugares estão de frente um para o outro (vamos lembrar que nas igrejas ficamos lado a lado com nossos semelhantes ao dobrarmos os joelhos diante de um deus - de quem temos a imagem, mas não a natureza). Parece que o artista propõe que recriemos nossas posições ao nos curvarmos em frente a um outro humano. Mais um dado: os "genuflexórios" de Luciano são separados por distância igual à de uma cama, logo, eles ocupam as posições da cabeceira e seu contrário e, entre eles, há ainda outro corpo subentendido.

É no conjunto dos objetos da instalação e em sua maneira de ocupar o espaço que o estado amoroso e a melancolia se tocam e influenciam, porém sem se fundirem reduzindo-se a um único terceiro estado onde perderiam suas potências e singularidades. Aqui elas se relacionam e são colocadas sempre em movimento num infinito comentário mútuo. Como pode ser na vida, entre as pessoas.

"O estado amoroso e a melancolia tem uma ligação profunda: um é o termo corolário do outro. A criação literária, por sua vez, tem uma inteira relação com ambos: não há escrita que não seja amorosa; nem imaginação que não seja, aberta ou secretamente, melancólica". (2)

Claudia Paim
2005

(1) Os textos são de Jerri Rossato Lima que integra, junto com Luciano Zanette e Gabriela Picoli, mais Marcio Quadrado e Simone Bernardes, desde 1998, o coletivo Comfluência. Estes dois últimos também são colaboradores desta instalação, pois emprestam suas vozes para o áudio que podemos ouvir.

(2) Julia Kristeva. Sol Negro. Rocco: Rio de Janeiro, 1989.

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