MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Laura Erber
O Livro das Silhuetas
2004
Outros trabalhos de Laura Erber

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Outros artistas no MUVI

Laura Erber (Rio de Janeiro, 1979) é poeta e artista visual. Formou-se em Literatura pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. De modo geral seus trabalhos se caracterizam pela constante renegociação entre imagem, corpo e palavra. Entre 2002 e 2004 foi artista residente no Le Fresnoy - Centro Nacional de Arte Contemporânea (França) onde realizou o filme Diário do Sertão e a vídeo-instalação O Livro das Silhuetas em colaboração com a coreógrafa Sioned Huws. Em 2004 recebeu a bolsa da Akademie Schloss Solitude (Stuttgart). Participou da V Bienal do Mercosul (Porto Alegre) e realizou exposições individuais no Centro de Arte da Ilha de Vasssivière (França), Fundação Miró (Barcelona), Novembro Arte Contemporânea (Rio de Janeiro). Seus trabalhos vêm sendo exibidos em diversos centros de arte no Brasil e na Europa (Le Plateau, Jeu de Paume, Maison Europeène de la Photographie, Museu de Arte Contemporânea de Moscou, Museu de Arte Moderna de Paris, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outros). Publicou os livros Insones (7 Letras, Rio de Janeiro, 2002) e Os Corpos e os dias/Körper und Tage (Merz-Solitude, Suttgart, 2006). Em 2007 recebeu a bolsa da Prefeitura de Paris para intercâmbio no Le Récollets . Atualmente realiza o projeto "videogramas" em parceria com a performer Marcela Levi. Vive e trabalha no Rio.

O LIVRO DAS SILHUETAS

Como interrogar plasticamente as relações entre corpo e linguagem? Esta seria a pergunta por trás do projeto O Livro das Silhuetas realizado em 2004 com a colaboração da coreógrafa Sioned Huws.

Este trabalho explora possíveis articulações entre a intensidade física e fragilidade da matéria verbal. Acompanhamos as lentas mutações de duas formas indefinidas até a configuração de silhuetas humanas. Reduzido apenas as linhas de contorno, os movimentos do corpo da dançarina Sioned Huws mostram o próprio engendramento da figura humana. Esses corpos vazados, esvaziados de sua identidade original, revelam e convocam um texto cujas palavras, por sua vez, nunca são totalmente legíveis. No decorrer do movimento algumas palavras caem e a silhueta tenta recuperá-las reintroduzindo-as em seu corpo. A dupla projeção remete à configuração de um livro aberto, mas também procura criar uma situaçã de falso espelhamento que acentua a solidão das duas figuras no espaço virtual do texto.??

2004

Ficha técnica

Produção: Le Fresnoy, 2004
Dançarina: Sioned Huws
Coreografia: Sioned Huws e Laura Erber
Câmera: Yannig Willmann
Pós-produção digital: Massimiliano Simbula



 

Laura Erber - Arrulhos como formas
Ligia Canongia, 2006

O senso comum e a percepção de alguns notórios pensadores insistem em reconhecer o visível como algo incrustado no tangível. Tratando o mundo da arte ainda como mundo dos volumes e, portanto, confundindo imagem e coisa, pecam pela redução do visível à lógica imediata da coisa vista, pela redução da imagem ao objeto.

O trabalho de Laura Erber, na série das "Silhuetas", é o reverso desse parti pris, pois, nela, as imagens renunciam às formas, o que contradiz, por exemplo, a estratégia minimalista, em que as formas é que pareciam querer renunciar às imagens.

Nessa série, não há um objeto, uma coisa definida, mas a formação de algo no tempo, como uma variável em si mesma, em situação. O que vemos é pura latência espacio-temporal, por meio de linhas em trânsito: uma forma que se experimenta, vacilando sobre a própria possibilidade formal que virá a ter um dia, talvez. Uma forma que avança, retrocede, estanca e recomeça, mas não se encontra: um vir a ser formal duvidoso, que põe em dúvida esse mundo estável e eterno dos volumes e das coisas.

Em Laura Erber, a forma é, necessariamente, experimental. Depende da experiência do seu fazer em processo. Depende da troca intersubjetiva entre a sua aparição vacilante e o sentido que terá para nós. Como arrulhos de crianças que ainda não dominam a língua, as silhuetas encontram-se no limiar da linguagem, como seres que titubeiam frente à própria face que vão assumir. As linhas não constituem corpos, e as silhuetas dançam em perfis que engatinham no espaço, como que buscando o seu reconhecimento no mundo das figuras. Em animação cinemática constante, o fator temporal interfere diretamente nessa imprecisão figurante, sendo essencial ao processo de transmutação.

Entre o arrulho e o balbucio, as linhas remetem-se ao nascimento das formas, àquele momento primordial em que eclodem, e onde a linguagem ainda é muda. Ao frescor de seus primeiros sinais, confusos, mas intensos, essas linhas distendem-se na elasticidade do tempo e do espaço, sem um destino preciso, como se escarnecessem do ponto final de todas as frases. Preferem projetar-se na infindável possibilidade de constituição das formas, sem corresponder a nenhuma em particular, apenas descrevendo as articulações que precedem os sistemas. Como diz a artista, o estado amorfo desses desenhos fala da "necessidade de se despojar de certas organizações discursivas e visuais de representação", como "um mergulho no campo pré-linguístico".

O inacabado é o demônio formal da história das representações, assim como uma subversão aos esquemas racionalistas que nos conduzem à ordem e às conclusões. Mas o inacabado é também o estopim da angústia visual que acaba por nos levar à busca das formas fechadas, como se nós mesmos não estivéssemos nos desenhando no caminho e à mercê da sorte. A obsessão do informe como estado de propulsão criadora ronda esses trabalhos; não como modo de produzir abstração, mas o informe como modo de produzir não-coisas, a ver.

Ligia Canongia - abril de 2006.

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