MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Laura Vinci
24ª Bienal Internacional de São Paulo
2004
Outros trabalhos de
Laura Vinci

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Outros artistas no MUVI

Maria Laura Vinci de Moraes (São Paulo SP 1962). Escultora, artista intermídia, pintora, desenhista e gravadora. Forma-se em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, em São Paulo, em 1987. No início, dedica-se à pintura, em seguida desenvolve obras tridimensionais de metal e pedra. Começa a criar instalações, como o trabalho apresentado no evento Arte Cidade: A Cidade e Suas Histórias, em 1997. Realiza a cenografia da peça Cacilda!, dirigida por José Celso Martinez Corrêa (1937), no Teatro Oficina, em São Paulo, em 1998. Desde 2000, ministra cursos livres de pintura e escultura e participa de workshops em várias instituições culturais de São Paulo, como o Instituto Tomie Ohtake. Conclui, em 2000, o mestrado em artes plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. Participa do Projeto Residência Externa-Sertões/Teatro Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa, coordenando as oficinas de cenário, figurino e direção de arte, entre 2000 e 2001. Em 2003, é publicado o livro Laura Vinci, pela Edusp. Com o The South Project, faz residência na Escola de Belas Artes da Universidade RMIT, em Melbourne, Austrália, em 2005.

retirado de www.itaucultural.org

 


Fotografia: Rosa de Lucca

Warm White
mármore, água, resistências elétricas, tubos de vidro e mangueiras plásticas
dimensões variadas. 2004
foto: Nelson Kon

  Olhos d'água
Alberto Tassinari


São bacias de vidro. Algumas vazias. Algumas com água. Outras, das que contêm água, soltam vapores. São aquecidas por resistências que até elas chegam por condutos de cobre. Tudo poderia estar desarrumado, mas o arranjo é sereno. Algo está se passando, acontecendo, mas não se sabe bem o que é. Lembra uma experiência científica. Mas, só de olhar, não é possível saber o que está em causa. Talvez nosso próprio olhar?

Como em outras obras de Laura Vinci, há movimentos, ou houve movimentos, ou parecem haver movimentos. Mas não importa. Sua poética, apesar do atual emprego de novos materiais e de novos objetos, é uma poética do repouso. Se o movimento conta é pelo fato que entrar ou sair do repouso o mostra melhor. Assim o vapor é como o de uma bruma na paisagem de um lago. As bacias se recostam tal qual frutas em naturezas mortas. E passar de uma associação de imagens a outra não assusta a imaginação. Ao contrário, a acalma. As desmesuras se apaziguam. A experiência, parece, é da ordem da quietude. E a água lhe cai bem.

Esta é a primeira obra de Laura Vinci em que a artista se afasta do uso de materiais tradicionais da escultura: os metais fundidos, a pedra e a areia. Na medida em que a areia, de certo modo, é o vapor da pedra. Aqui, porém, o vapor é vapor mesmo, embora os vidros das bacias, transparentes, inodoros, passem por uma espécie de solidificação da água. Vapores, líquidos e sólidos unidos por condutos elétricos que saem de uma parede em diversas ramificações. Por que algumas bacias estão vazias? Por que outras sem vapor? Não se sabe. E retorna a imagem de uma experiência. Mas olho aqui e olho ali e nada adivinho. Claro enigma, sinto-me rodeado. Olhado? Talvez. Mas por um olhar raro, um bom-olhado, que só existe na arte, em certos momentos do amor, ou, no meio da mata, quando, mansamente, nasce água de um olho d'água.


Laura Vinci
Text by Lorenzo Mammi
(extracted from the 26th São Paulo Biennial catalogue)

The work is never where we imagine it to be. A strict formal definition along the lines of Brancusi, Giacometti or even the volutes of art nouveau coexists with a displacement of meaning that forces us to divert our gaze, look all around it, at the almost-nothing that surrounds it. In the iron sculptures of early 1990s the meaning was not so much present in the slender masses of cast metal but in the pressure of emptiness on them.
Laura Vinci's later works can be read as a series of variations upon this emptiness. The emptiness in the space between two concrete slabs of a derelict building, measured by the fall of a thin trickle of sand, inexorably shifting what is above toward what is below. The emptiness that is sedimented in marble dust, filling the space between compact forms of marble, submerging and diluting them. The emptiness filled by the heat given off by a warm body, rising in columns of steam. Or the emptiness of the moisture in the air, condensing as ice around a cold body.
Many contemporary artists have taught us to deal with the impalpable. Beuy's irradiation. Klein's emptinesses, Kounellis's fire, Calzolari's ice or De Maria's electrical discharges replace the formal syntax of sculpture by themselves, dissolving it. In this case, however, rather than a dissolution of volume, there is the solidification of the aura, of the spatial and visual field, enhanced by the presence of the sculpture. Here it becomes so small, so intimate, that it sticks to or rather imprints itself upon the work, or emanates from it to fade immediately. Thus the sculptures, although visually elegant, defy merely optical assessment: they produce a reaction that somehow makes the emptiness surrounding them more visible and more expressive then the shape itself.

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