MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Luciano Mariussi
Vitrines
Livraria do Eleotério (Curitiba - PR), 2002 - Café Teatro (Curitiba - PR), 2004
Outros trabalhos de
Luciano Mariussi


Folder digital
(clique na imagem)
Outros artistas no MUVI

Luciano Mariussi

Luciano Augusto Mariussi (Tupãssi PR 1974) freqüenta o curso de educação artística na Faculdade de Artes do Paraná, em 1996, e conclui bacharelado em gravura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em 1997, em Curitiba. Realiza cursos de direção de cinema, desenho publicitário, litografia, livro de artista e xilogravura. Sua pesquisa une arte e tecnologia numa direção contrária, apontando para um certo estranhamento do homem diante das novas tecnologias. Realiza mostras individuais, em 2000, no MAM/SP Higienópolis e no MAC/PR, Curitiba. Participa, entre outros eventos, de Gravadores Contemporâneos do Paraná, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, 1997; Contemporary Brazilian Prints, itinerante pelas cidades norte-americanas de Irving, Wichita Falls, Plano e Odessa, em 1997, e Abilene e Baton Rouge, em 1998; Mostra Rio Gravura. Curitiba: gravura contemporânea, no Museu da República, Rio de Janeiro, 1999; 12ª Mostra da Gravura de Curitiba. Marcas do Corpo, Dobras da Alma. Curitiba: gravura contemporânea, no Museu da Gravura, Curitiba, 2000.

(retirado do site www.itaucultural.org.br)









Currículo Mail para Luciano Mariussi


"(...) Ao contrário de seus colegas mais velhos, que se aproximam cautelosamente das novas tecnologias, Mariussi - por ser tão jovem -, é um artista que nasce envolto por esses novos meios. Daí sua intimidade com o computador, e sua falta de deslumbramento com o meio, que consegue usar com desenvoltura e liberdade crítica. A mesma liberdade, diga-se, que o videomaker usufrui para a concepção e produção de seu segundo vídeo presente na mostra, Io no entendo. Tensos e angustiantes, os trabalhos de D?Alessandro e Mariussi apontam para uma sensibilidade que, com certeza, irá caracterizar muito da produção artística do próximo século. "

Tadeu Chiarelli

CHIARELLI, Tadeu. [Texto de apresentação]. In: IMAGEM experimental: Paulo D'Alessandro e Luciano Mariussi. São Paulo: MAM, 2000. folha dobrada il. color.

Clique no ícone para assistir ao vídeos de Luciano Mariussi em cada página.


  APRESENTAÇÃO

A relação entre arte e público sempre me despertou curiosidade, por querer saber qual é o nível de profundidade na fruição de obras de arte. Mais especificamente, este interesse se volta à arte contemporânea, pois na minha condição de artista procuro fazer uma leitura de como esta relação se processa para o meu próprio entendimento, fruição ou qualquer outra experiência que uma obra de arte venha proporcionar.

Desse modo, os trabalhos que desenvolví foram produzidos com o intuito de refletir sobre um pensamento considerado não erudito, ou seja aquele que não é adquirido pelo viés acadêmico. Ainda assim, esse gosto não erudito se constrói por meio de diversas classes sociais em diferentes níveis culturais.

Outro aspecto relevante, da minha produção, é o de proporcionar uma visão da arte como forma de comunicação entre indivíduos. Destaco este aspecto, pois, a arte contemporânea parece estar fadada a um círculo muito restrito de iniciados pela academia. A pouca visitação dos espaços que abrigam este tipo de arte é um fato que parece ser superado apenas em mega eventos, com orçamentos milionários. No dia-a-dia, exposições menores, em sua grande maioria, com orçamentos curtos não têm muita visibilidade e não são vistas e apreciadas pelo grande público.

O embate cotidiano do público em geral com a arte não existe nem nos espaços públicos ou institucionais, nem nos espaços privados e nem nas tentativas, por parte dos artistas, de levar a arte para as ruas, onde teoricamente este embate deveria acontecer.

Essa relação, entre público e arte contemporânea, que num primeiro momento parece não ter profundidade, pois é desse modo que os próprios espectadores se referem ao seu grau de intimidade com a arte, é usada como matéria-prima na construção dos trabalhos aqui apresentados.

Luciano Mariussi



A COMPRA DA PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO
VITRINE DO ELEOTÉRIO

Em 2002 fui convidado a fazer uma intervenção em uma vitrine comercial. A princípio isso me pareceu ser uma armadilha, pois até então nunca havia feito nada que pudesse sugerir algum diálogo com um espaço de vitrine. Muito pelo contrário, os trabalhos que já mencionei nesta dissertação buscavam justamente o oposto: um espaço museológico ou ainda um espaço estritamente destinado à arte. O espaço em questão era a vitrine de uma conhecida livraria de Curitiba, a livraria do Eleotério, atualmente fora de funcionamento. Este projeto, idealizado pela artista plástica Marga Puntel, previa a ocupação desta vitrine por duas semanas a cada artista do projeto: Marga Puntel, Ana González e Luciano Mariussi. Esta livraria foi escolhida pela facilidade de acesso e por não ser um lugar já compromissado com as questões artísticas, viabilizando assim um contato mais próximo do público com a arte contemporânea.
O espaço da vitrine ficava longe de qualquer semelhança com espaços destinados à arte, museus e galerias. Esse aspecto foi desafiador. Senti que não poderia simplesmente fazer uso deste espaço impunemente. Deveria tratá-lo mais como uma intervenção em espaço urbano. Como sempre fiz questão de estabelecer uma relação entre o espaço que continha o trabalho e o trabalho propriamente dito, me adaptar ao espaço disponibilizado traria certamente um direcionamento na concepção do que viria a realizar.

Em vez de utilizar a vitrine como espaço expositivo, decidi que não faria simplesmente um trabalho para ser colocado em uma vitrine e sim utilizaria o espaço todo da livraria para engendrar uma situação que se relacionasse com um suposto público, que viria ver o trabalho exposto e o público usual da livraria. Achei que naquela situação seria um tanto complicado reter a atenção do público para qualquer obra que pudesse habitar aquela vitrine: uma parede de vidro que transparecia todo o interior da loja. Como o relacionamento do meu trabalho com as artes se fez via questionamento entre arte e público, a estratégia de aproximação que escolhi foi a compra da participação do espectador. No espaço da vitrine foi instalada a seguinte frase:

"Entre Gritando Eu sei o que é arte contemporânea e ganhe um desconto de R$ 2,00 reais".

Havia previamente feito um acordo com o dono da livraria e esse desconto seria efetivado se o cliente/espectador se dispusesse a realmente deixar a timidez de lado e entrar na loja gritando. Houve muitas participações. Foi interessante notar que esta indução a participação por meio da compra, uma espécie de suborno ao público, foi muito eficaz. Mesmo para quem não tinha a menor proximidade com arte contemporânea pode ter sido induzido a pensar que nesta frase residia uma inquietação. Pensar no que estava escrito não contribuiria para ter uma opinião sobre arte contemporânea, ou para esclarecer algum ponto mais específico, mas revelaria que nesta frase poderia haver um problema a ser discutido, ou ainda seria um assunto caro para quem trabalhasse com arte contemporânea. De qualquer forma, serviria para apontar um caminho de entrada nas questões da arte contemporânea.

Durante as duas semanas que o trabalho ficou instalado, pude acompanhar algumas das "performances" das pessoas que entravam na livraria e tomei consciência de que deveria utilizar esse procedimento com o público mais vezes. Fiquei sabendo por meio do Sr. Eleutério, dono da livraria, que muitos clientes entravam apenas para participar do trabalho, levando pra casa um pequeno livro de valor não muito superior ao da promoção/trabalho.

Esta estratégia, de compra de público, voltaria a ser usada em outros trabalhos futuros.

Luciano Mariussi

Versão para impressão


VITRINE DO CAFÉ DO TEATRO

Em 2004, fui convidado novamente a participar de outro projeto de vitrine. Dessa vez o espaço a ser utilizado era uma vitrine especialmente construída para o projeto, idealizado pelo artista plástico e cenógrafo, Fernando Marés. Em uma grande janela de vidro do bar, foi construída uma pequena sala, semelhante a um espaço de galeria. O projeto previa a ocupação do espaço por 12 artistas no período de 12 meses. Novamente minha relação com o espaço estava em questão, pois havia se modificado novamente. Não se constituía como espaço de arte nem tampouco como bar. Era quase que uma galeria instalada dentro de um bar, tinha certa autonomia, pois estava isolada do espaço interno do bar e sua visualização poderia ser feita apenas pelo lado de fora.
Minha intenção foi novamente, a de romper com os limites de espaço dado e interferir na rotina do bar. Como o ocorrido com o trabalho anterior na livraria, deixaria na vitrine uma das partes constituintes do trabalho, mas não seria este o propulsor do trabalho.


Foi instalado na vitrine, com recorte em vinil, a seguinte frase:

"Seu Desenho Vale uma Cerveja"

Seguido da data do evento, 14/07/04 a 08/08/04 e ainda as normas para a participação da "promoção":

"Fica a critério do garçom (e curador), aceitar o desenho ou não, de acordo com seus critérios pessoais e subjetivos. Os desenhos aceitos farão parte da exposição da vitrine."

Dentro do bar disponibilizei material de desenho, papel, grafite, nanquim e pincel. Este material ficava com os garçons e era oferecido aos clientes do bar para a elaboração de um desenho em troca de uma cerveja. A troca apenas seria efetuada caso passasse pelo crivo dos garçons, que foram anteriormente instruídos a aceitar apenas o que era realmente do seu agrado pessoal. Cada trabalho aceito era exposto na vitrine, que aos poucos foi sendo preenchida por diversos desenhos.

Neste caso, o contexto do trabalho gerou uma situação metafórica dos mecanismos da arte em geral. Inclusos no trabalho da vitrine havia artistas dispostos a comercializar seu trabalho, alguém com poder de julgamento crítico para validar os trabalhos (no caso o curador / garçom) e um espaço de exposição para dar vazão a esta produção e fazer a intermediação com o público.

Arte é feita de escolhas subjetivas e estas escolhas passam sempre por um inventário pessoal de referenciais que cada artista, crítico, ou curador possui. Este trabalho reforça esse aspecto por meio da nomeação de uma pessoa qualquer como artista ou curador. Assim como em uma prática duchampiana de deslocamento, que o faz o objeto ser valorado como artístico, aqui pessoas quaisquer foram deslocadas de sua condição normal, digo não artística, para uma posição de detenção de poder de criação.

Além das características comentadas nos trabalhos anteriores, inclusão do espectador dentro da obra, humor, interatividade, relação entre arte e espectador, relação entre espectador e espaço expositivo, estas vitrines contém um dado importante a ser relevado: a compra da participação do público. Enquanto os outros trabalhos como "Entre" e "Estética" incluíam o espectador de forma impositiva, as vitrines tendem a serem mais amenas nesse sentido, e ainda assim mais eficazes. A participação do público se faz espontaneamente e uma certa disposição para reflexão pode ser notada.

Luciano Mariussi

Versão para impressão

Artistas participantes do projeto MUVI
Incisões - Gravadores Contemporâneos do Paraná Textos e entrevistas Saiba mais sobre a história das artes plásticas no Brasil Saiba mais sobre o MUVI Links Recomendados mande um mail para o MUVI
Clique nas imagens para ampliar
Design da página: Fábio Channe
PARCERIAS:
Projeto POLVO Projeto de Extensão Artista na Universidade Teatro Monótono Projeto Heterodoxia Projeto para a Construçao de um Desenho  -  Marlon de Azambuja
 
 
É expressamente proibida a reprodução do conteúdo desta página sem a autorização do artista ou da Coordenadoria do MUVI
Todo o material (fotos e textos) que forma o conteúdo deste site foi fornecido pelos artistas focados,
sendo que a Coordenadoria do MUVI não se responsabiliza pelo mesmo.
© MUVI 2004