MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Patricia Gouvêa
Imagens Posteriores
2002
Outros trabalhos de
Patricia Gouvêa

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Outros artistas no MUVI

PATRICIA GOUVÊA
(PATRÍCIA DE OLIVEIRA GOUVÊA,1973)

Patricia Gouvêa é formada em Comunicação pela ECO/UFRJ, especialista em Fotogra . a pela UCAM/RJ e mestranda em Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem pela ECO/UFRJ.É fundadora (1995)e diretora do Ateliê da Imagem Espaço Cultural, no Rio de Janeiro, onde são oferecidos cursos de fotografia, artes visuais, mídias digitais, cinema e vídeo, além de intenso programa de palestras, eventos, concursos e exposições.

Sua pesquisa artística envolve fotografia e vídeo e tem como principal recorte a potência da imagem como paisagem, seja a matéria a natureza, o corpo, o espaço urbano ou privado.

Participou de exposições coletivas e individuais no Brasil, Argentina, Colômbia, Itália, França e Peru. De 2002 a 2005 participou de um grupo de estudos e projetos em arte contemporânea sob orientação do artista plástico e curador João Wesley de Souza.

Faz parte do coletivo Grupo DOC (Desordem Obsessiva Compulsiva)com os artistas Isabel Löfgren,Marco Antonio Portela e Mauro Bandeira.

A primeira ação do coletivo foi a idealização e realização da Nanoexposição ,na Galeria Arte em Dobro (RJ),em 2005,que teve como proposta reunir trabalhos que tivessem o mínimo de tamanho com o máximo de potência. A Nanoexposição já passou por São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória e participou da ArtBO - Feira internacional de Arte de Bogotá, na Colômbia, em 2005.O Grupo DOC prepara atualmente a exposição FAKE,que será inaugurada em outubro na Galeria 90 Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.



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Sobre a série Imagens Posteriores

A série Imagens Posteriores é fruto de seis anos (1998-2004) de pesquisa e tem integrado diversas exposições coletivas no Brasil, na Itália e na França. Também foi apresentada como individual em junho de 2003 na Galeria Lana Botelho Artes Visuais dentro da programação do FotoRio 2003, Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro.

Por ter sido este trabalho escolhido dentre 130 inscritos como o melhor trabalho nos Encuentros Abiertos de Fotografía de 2002, festival internacional que acontece bienalmente em Buenos Aires, Argentina, foi apresentado em 2004 no Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires e itinerou por outras cidades do país, como Jujuy e Tucumán.

A série é resultado de um processo intencional de apropriação de técnicas que visa a criar um deslocamento ou "estranhamento" do olhar a partir do tema da paisagem, questionando no tempo e no espaço o "instante decisivo" do ato de fotografar. O ponto de partida do trabalho é a interrogação: como o olhar contemporâneo, tão dado a instantâneos e contornos, pode interagir com o espaço entre, a partida e a chegada, criado pela velocidade? Geografia embaçada, tempo estendido são algumas estratégias para o resultado visual de uma fotografia expandida.

E junto a esse questionamento surge um outro desafio: como abordar um gênero tão importante como é a paisagem sem se valer do registro formal e da leitura descritiva?

O vídeo - montado com recursos de animação e trilha sonora constitui um suporte ideal da tradução do conceito que norteia a proposta: investigar as possibilidades de expansão do tempo e da estaticidade fotográficas e a transmutação das paisagens em campos de energia através do recurso do movimento.

Libertas de seus referentes e de seus atributos turísticos ou geográficos, as paisagens são aqui apresentadas como substância poética e, desta forma, interagem com os espectadores, conduzindo-os aos seus territórios interiores.

 

Solo #7
90 x 135 cm. 2004

Díptico #1
50 x 75 cm. cada. 2004

Díptico #5
50 x 75 cm. cada. 2004

Solo #9
90 x 135 cm cada. 2003

Solo #11
90 x 135 cm. 2005

Solo #2
90 x 135 cm cada. 2003

Tríptico #5
50 x 75 cm cada. 2000

Tríptico #3
40 x 60 cm cada. 2000

Solo #4
90 x 135 cm. 2002

Solo #17
90 x 135 cm. 2003

Tríptico #2
40 x 60 cm cada. 2003

Solo #6
90 x 135 cm. 2003

Solo #2
90 x 135 cm. 2002

Solo #5
90 x 135 cm. 2002

Solo #1
90 x 135 cm. 2002

Solo #10
90 x 135 cm. 2002

Solo #13
90 x 135 cm. 2003

Solo #3
90 x 135 cm. 2003

Solo #5
90 x 135 cm. 2004

Solo #7
90 x 135 cm. 2000

Solo #14
90 x 135 cm. 2000

Solo #11
90 x 135 cm. 2000

Solo #9
90 x 135cm. 2001

Díptico #2
50 x 75 cm. cada. 2004

Díptico #2
50 x 75 cm. cada. 2000

Solo #4
90 x 135 cm. 2003

Díptico #4
135 x 90 cm cada. 2005

  Imagens Posteriores

A indução pretendida pela legenda acima, no caso específico das imagens de Patricia Gouvêa, faz mais do que se justificar, é uma afirmação procedente. A conquista de uma manifestação visual, que se viabiliza através da introdução das recentes inovações tecnológicas(1), constitui-se no norte poético desta artista. Patricia faz da fotografia o seu meio de apreensão de sentidos, do aparelho-câmera o elemento de intermediação imprecisa com o real, e do computador o seu mecanismo de diluição de referências.

Poderíamos em uma primeira abordagem sobre estas imagens sermos levados a entender que, ultimamente, a introdução em larga escala de recursos fotocomputadorizados no campo das configurações planares acabaria nos suscitando um retorno às questões da arte que antecederam ao conhecido período moderno. O aumento significativo da participação de imagens fotográficas nas atuais mostras de artes visuais, faz com que pensemos em um certo retorno à questão da representação. Uma proliferação de referências ligadas ao mundo, a verdade da película em negativo contida no mecanismo fotográfico e suas possíveis transmutações no ambiente digitalizado, quando orientadas para a intenção de fidelidade de uma imagem, terminam enfatizando uma noção de reflorescimento acadêmico. Porém nas obras de Patricia Gouvêa, esta constatação não é válida. Suas imagens, apesar de ainda possuirem uma conexão indicial com o motivo fotografado, são transubstanciadas na imperfeição técnica (má fotografia) e também quando interagem com o ambiente cibernético, tornando-se outra coisa, que não é mais o motivo primeiro submetido ao "clic".

Sua imagem é exatamente fresca, não é mais real, mas sim uma aparição. Algo acrescido não pela experiência da contemplação, mas reinventado pela interferência estetizante a posteriori, daí "posterior" à experiência que o ato fotográfico permite. Para isto, também concorre a submissão à "eterna grade", atualmente travestida em seqüências de zeros e uns, uma gramática exclusiva deste novo sistema de códigos.

Além do abandono da precisão(2), comum ao meio eleito, é patente nas imagens de Patricia Gouvêa uma outra estratégia organizada pela artista para explicitar a interface entre as sensações de estaticidade e dinâmica. Se pensarmos o instantâneo como segmentação fixadora de um fragmento do continuum, a introdução da imagem fotográfica no ambiente videográfico acontece como via de escape para a idéia de inércia e de morte(3), implícita no instantâneo. Enfim, Patricia propõe um conjunto de visualidades e recursos que transitam entre dois meios expressivos distintos. Este é um álibi, um subterfúgio aplicado para afirmar que a esperança ainda é um alento possível, que cada segundo de vida que pulsa é afirmação do desejo de continuar existindo, ou seja, as "imagens posteriores" nos fazem lembrar que o amor ainda existe.

João Wesley / Junho de 2003

(1)......Se estas imagens podem ser ditas ou referidas por alguma coisa, seriam para milhões de bits de informação eletrônica matematicamente acrescentadas. A visualidade seria situada em um terreno cibernético e eletromagnético onde os elementos visuais e abstratos e linguísticos coincidem e são consumidos, circulados e trocados globalmente. _Crary Jonathan. Techniques of the observer.

(2) ........"Os Milagres da Fotografia".......a interface da escala massiva do primeiro plano, como delicado padrão do plano de fundo; o contraste na perspectiva; cor e forma; o preciso acabamento material, formando sutis momentos de movimento. _ Laurentiev, Alexander. Rodchenko Photografhy. Konemann, 1999

(3) A fotografia..............Ela designa a morte do referente, o passado retornado, um tempo efetuado e imóvel. ............ela indica que por debaixo a vida continua, que o tempo flui e que o objeto capta e ao mesmo tempo deixa escapar. -_De Duve, Thierry. Essais Datés 1 - A pose e o instantâneo ou O paradoxo fotográfico.

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