MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Rogério Ghomes
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Rogério Ghomes

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Mestre em Design, pela Universidade estadual Paulista -Bauru/SP. Especialista em fotografia pela Universidade Estadual Paulista, Bauru/SP. Formado em Desenho Industrial pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 1998. Dentre suas exposições, destacamos: 1988 - Após Tempos, Casa Romário Martins, Curitiba/PR; XXXXV Salão Paranaense, Curitiba/PR; 1989 - Casa Romário Martins, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba/PR; Pára-raios, Curitiba/PR; XXXXVI Salão Paranaense, Curitiba/PR; 1990 - Decorrência, Sala Theodoro de Bona, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba/PR; 1991 - Intervenções, Centro Cultural Portão, Curitiba/PR; 1992 - Identidade do Analógico ao Digital, UFF, Niterói/RJ; 1993 - Jogos & Simulacros, UFF, Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ; XXXXIX Salão Paranaense, Curitiba/PR; 1994 - Jogos & Simulacros, IBAC FUNARTE, Rio de Janeiro/RJ; 1995 - II Salão Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador/BA; 1996 - Zona flutuante, Sala Theodoro de Bona, Curitiba/PR; 1997 - Panorama de Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP; VI Bienal de Havana, Cuba; IV Salão Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador/BA; 1998 - Preferencial, Ybakatu Espaço de Arte, Curitiba/PR; II Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba, Curitiba/PR; 1999 - Centro Cultural Mendes, Rio de Janeiro/RJ; Olhos Blindados, Ybakatu Espaço de Arte, Curitiba/PR; 2000 - XII Mostra da Gravura, Curitiba/PR; III Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba, Curitiba/PR; 2001 - Palácio Capanema, FUNARTE, Rio de Janeiro/RJ; 2002 - Ybakatu Espaço de Arte, Curitiba/PR; Nefelibatas, Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo/SP; IX Salão MAM Bahia, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador/BA; Faxinal das Artes, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba/PR; 2003 - Centro Cultural PUCE, Quito, Equador; Desde la piel que quiere ser vista al sentido invisibile, III Festival de fotografia de Miraflores, Lima, Peru; 2004 - Território Ocupado, Paço das Artes, São Paulo/SP; 2006 - O Espaço Inventado, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba/PR; 2007 - Espaço de Artes Ybakatu, Curitiba/PR.


Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui
Fotografia - 210x90 cm - 2006

Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui
Fotografia - 210x90 cm - 2006

 

Todos precisam de um espelho para lembrar quem são
Plotter de recorte - Dimensões variáveis - 2006

Sem título - Fotografia - 300x100 cm - 2002
Coleção Ybakatu Espaço de Arte

Sem título - Fotografia - 3000x150 cm - 2005

Sem título - Fotografia - 120x150 cm - 2005
Coleção Ybakatu Espaço de Arte

Sem título - Fotografia - 300x100 cm - 2007
Coleção Particular

Preciso acreditar num mundo fora da minha mente
Instalação- Dimensões variáveis - 2005

  Eu também preciso acreditar que ao fechar os olhos continuarei neste mundo…

Silencioso e triste daquele homem que perambula solitário por uma praia acompanhado de seu cachorro. Leva ao seu redor um vermelho escaldante, desolador e imenso criado nos ambientes imateriais de um computador. Nada mais que um gesto pictorialista diante dos novos recursos de criação de imagem que nos tiram artificialmente do lugar comum. Na foto, um homem e seu animal se tornam pequenas figuras ou nada mais que pequenos vultos imersos naquela paisagem simbólica, de tão alterada que foi. É a arte com o seu poder de transformar realidades ou nada mais que uma lincença poética que paira sobre este mundo.

Tal procedimento não se repete tão claramente na imagem central em que se vê o oceano em sua crueza de um cinza nebuloso e assustador, como uma pintura de Tuner. Aqui a imagem está rodeada pelos vermelhos das imagens anteriores como em uma pintura construtivista. No entanto, ela foge do confinamento com o impacto central de sua força. Rigidez quebrada apenas pelo branco que as linhas das ondas que arrebentam na praia desenham no horizonte em que mar e céu se confundem. Trata-se de uma instalação ou fotomontagem levadas diretamente no plano da parede. Procedimento que vai se repetir em outras situações criadas no espaço de exposição quando Rogério Ghomes vai propor aproximações entre imagens que até se parecem idênticas. Mas não são. Nas suas pequenas diferenças captadas na passagem do tempo, as paisagens que estão em constante transformação, nos indicam que um instante é diferente do outro e não mais se repete. O fluxo natural da vida. Como Atlas que desejava equilibrar o planeta Terra. O artista, na mesma visão utópica do deus grego, tenta a seu modo prender aquele mundo. Rogerio Ghomes, num gesto desesperado com sua máquina fotográfica, deseja captar o tempo presente. Que nasce e morre. Que nasce e morre. Que nasce e morre... Nada mais que um desejo que resulta no congelamento dramático do que já foi.

Estas aproximações que o artista faz ao colocar imagens lado a lado, funcionam como pequenas narrativas topográficas que trazem uma dose de âmbigüidade nesta disposição. O artista parece não querer apenas fazer um registro, mas mais do que isto, captar com extrema dureza o tempo. Ou será delicadeza? Ao colocar neste olhar, um viés romântico e desejar nos explicitar nossa insignificância diante das paisagens propostas, mesmo que pequenas ou, inversamente majestosas.
Num primeiro olhar parecem carregadas de emoção, mas se observadas com mais cuidado, percebe-se um olhar distanciado, até mesmo, frio. É contraditória esta minha observação. Ao mesmo tempo em que percebo a beleza nestas imagens de Rogério Ghomes, percebo também uma dureza nessa objetividade de suas fotografias. Uma descoberta que nos assusta diante de fotos como as quais observam duas ilhas distantes em meio a um oceano de matizes do mesmo azul acinzentado e triste. Não se sabe novamente onde termina e começa mar e céu nesta mistura sutil de tonalidades. Nestas imagens percebemos a noção nostálgica da impossibilidade do infinito, enquanto transcendência.
No entanto, sutis diferenças pictóricas, naturais, na profundidade das duas fotografias postadas lado a lado em que a única informação capaz de alterar este ambiente contemplativo do silêncio proposto por Rogério Ghomes, é a passagem de umas poucas nuvens. Transformações quase imperceptíveis em meio a pesada atmosfera das vistas panorâmicas. É como se tudo tivesse um outro ritmo e tempo no lado exterior das imagens quando levadas à parede. O entorno e o ritmo do espectador circula em outra velocidade diante do quê se observa e que nos determina também uma outra relação objetiva com a escala das coisas no mundo.
Em outros dois trabalhos apresentados lado a lado, pedras cobertas do verde intenso do musgo e debruçadas no espelho negro e profundo de um riacho, parecem à espera de narciso(s) a se jogarem naquele silêncio de pequenas sutilezas. Um outro canto romântico do mundo, proposto pelo artista.
Mais imagens e nos deparamos com ambientes cortinados com tecidos translúcidos.
A fotografia agora, comumente associada ao registro da realidade, assume ares de representação. Janelas das janelas. Percebe-se novamente o silêncio a mirar a luz que vem de fora. Vestígios da dualidade do dentro-fora num jogo mútuo de esconder-se do próprio tempo. Imagem, ficção e realidade se confundem em vistas planificadas e indiferentes do mundo exterior vistas do mundo interior.
São as outras licenças poéticas que o trabalho de Rogério Ghomes permite aos incautos como eu, capazes de simplificar e procurar beleza, em tudo que nos cerca, em uma época em que há pouco espaço na sociedade contemporânea para a contemplação. Ou simplesmente espaço para este tipo de exercício que aqui me habilito. Pensar e refletir e pensar sobre o tempo perdido. O sublime ou o belo são marginais em uma época saturada de tensões e imagens banais e velozes. Será que temos realmente a cabeça nas nuvens?
Ao me deparar com o trabalho de Ghomes, fiquei à procura num primeiro instante, das pequenas sensações que suas fotografias me provocavam. Como um observador qualquer, ainda sem o compromisso e responsabilidade do texto.
Obviamente, que o trabalho tem complexidades que o primeiro olhar, não é capaz de captar nas sutilezas do poder implícito das imagens, ditadas pela sociedade contemporânea, período em que são permitidas manobras técnicas, como digitalização de uma fotografia. O que, perigosamente, permite revelar ou simular realidades e as não-verdades.
Ao assumir-se como artista, o fotógrafo Rogério Ghomes, no entanto, licencia-se do compromisso com a realidade dos homens comuns que se percebe apenas na superficialidade das coisas. Ele num gesto artístico ultrapassa esta camada do mundo e capta não só a matéria, mas os fenômenos que se escondem nos planos de suas fotografias. Temos sede de não realidades.
Desejei antes de tudo incitar o belo como possibilidade de arte na atualidade, ao pensar nas fotos de Rogério Ghomes. No entanto, deparo-me com outras inquietações sobre o tempo. O ritmo do silêncio, os impulsos do movimento.
Hoje, fotografar tornou-se um gesto tão fácil que tudo ficou registrável e, portanto, retocável com estes novos avanços tecnológicos na geração da imagem. A pureza ética então, há tempos acabou. E o acaso tomou lugar da testemunha ocular dos fatos naturais e humanos. Aquela fotografia que registrava a vida cotidiana como lembranças vividas perdeu lugar, conseqüentemente, diante da quantidade de imagens banais que circulam por meio destes novos dispositivos eletrônicos.
Como se fotografa tudo sem a preocupação de selecionar no clic à espera do instante certo, da percepção do momento sublime, fotografar também não requer mais originalidade.
As imagens de Rogério Ghomes são fortes na sua simplicidade e lembram desolação e silêncio(s) ao nos despertarem como se olhássemos através de janelas, para sentimentos como a percepção da passagem silenciosa do fenômeno tempo. Apenas formas e cores, luzes e sombras fixados por sua câmera fotográfica na nossa noção de tempo.
Restou então ao artista, na era da imagem digital e diante de tais recursos, diferenciar-se em meio à mesmice no gesto fotográfico e registrar o que realmente deveríamos observar e memorizar, como disse sutilmente Susan Sontang. As potenciais anotações do mundo.

ricardo resende
fortaleza, janeiro de 2006

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