MUVI - Museu Virtual de Artes Plásticas
Tânia Bloomfield
Museu Metropolitano de Arte
Curitiba/PR - 2004 - Exposição conjunta com Deise Marin
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Tânia Bloomfield


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TÂNIA BLOOMFIELD

Nasceu em Brasília, DF, em 1963. É licenciada em História pela Universidade de Brasília e em Educação Artística pela Universidade Federal do Paraná. Possui pós-graduação em História da Arte do século XX pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná - EMBAP. É professora do departamento de Artes da Universidade Federal do Paraná. Publicou a coleção "Espaço Arte", livros de arte-educação para o ensino fundamental, pela editora Nova Didática, Curitiba, PR. Realizou diversas exposições coletivas e individuais, destacando-se a III Bienal Mercosul e a "Lange Nacht der Museen" no ICBRA - Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha, Berlim, Alemanha. Possui obras em acervos de instituições do Paraná e de colecionadores particulares.

 

 

 



Currículo artístico_Mail para Tânia Bloomfield



Fotografias: Arnaldo Alves

"Sincronicidade" (detalhe). Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade" (detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade" (detalhe). Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

Sincronicidade" (detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade" (detalhe). Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade" (detalhe).
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade". Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Sincronicidade".
Madeira, metal e areia. 0,50 x 0,30 x 0,40 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó". Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó".
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe). Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe). Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe). Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe). Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe). Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" (detalhe).
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" . Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata. Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Da cinza à cinza, do pó ao pó" .
Madeira, terra, areia, cinzas e anel de prata.
Conjunto: 3,22 x 1,35 x 0,51 m. 2003.

"Por que você?" (detalhe). Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003

"Por que você?" (detalhe).
Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003

"Por que você?" . Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003

"Por que você?" .
Madeira, metal, terra e areia. 1,00 x 0,70 x0,57 m. 2003

"GTCA". Madeira metal e terra. 0,60 x 0,68 x 0,50. 2003

"GTCA".
Madeira metal e terra. 0,60 x 0,68 x 0,50. 2003


Gavetas de metal com bigorna ao fundo

Gavetas de metal com bigorna ao fundo

Gavetas de metal na funilaria (detalhe)

Gavetas de metal na funilaria (detalhe)

"Judd, de memória". Em processo na funilaria.

"Judd, de memória".
Em processo na funilaria.

"Uma coisa depois da outra" . Em processo , na funilaria.

"Uma coisa depois da outra" .
Em processo , na funilaria.

Texturas nas gavetas de metal.

Texturas nas gavetas de metal.

Sr. Raul trabalhando com o esmerilhador.

Sr. Raul trabalhando com o esmerilhador.

 

(...) Tânia Bloomfield, desdobrando suas pesquisas de Faxinal, guarda alegoricamente suas memórias em gavetas e armários na qual estão bastante vivos os textos, as palavras ou fragmentos de enunciados."Só é seu aquilo que você dá" é um dos versos de uma canção do grupo Lampirônicos, que num jogo de linguagem entre ter e ser, mostra a ambivalência da vida material e espiritual, a efemeridade da posse dos bens naturais com relação aos bens materiais e do conhecimento: o que realmente nos pertence?

Nessa transformação da matéria em conceito, do ter em ser, do momento ao infinito, ela se aproxima de Donald Judd - Judd de memória, para quem a "arte é algo que se vive" na sua materialidade e que se impõe na sua específica presença. Da obra Sem Título, de 1965, um empilhamento de sete elementos semelhantes a gavetas presos numa parede, a artista preserva as dimensões exatas da obra original, mas anexando nelas puxadores, caixas de aço presas numa parede, num alinhamento vertical e com intervalos iguais como objetos que se oferecem a uma visão total: frontal, superior, inferior, transversal, lateral, de fora, de dentro etc.
No texto que Judd escreve em 1965, Objetos específicos, ele diz querer sair da bidimensionalidade do quadro tornando obsoleto os termos pintura e escultura. Nestes objetos em três dimensões são banidos todo o ilusionismo espacial e toda a referência antropomórfica, como também toda a subjetividade - é um paralelepípedo cheio ou vazio de uma estrutura em metal fabricada industrialmente - a literalidade do objeto, o objetivismo rigoroso deve fazer com que a arte "assim coisificada deverá se encontrar confrontada com a sua própria natureza" (Judd).

Tânia nega essa possibilidade da mesma forma que Van Gogh negou a impossível objetividade visual do impressionismo. Tudo para ela esta carregado de significados, de presenças, de memórias ou de história, mesmo a fabricação mecânica da forma neutra de um material o mais anônimo possível. Assim dispostos, os objetos específicos de Donald Judd lembram gavetas que a artista associa com suas imagens de infância, brincadeiras na areia, escrever em versos, esconder pequenos objetos , e que ela guarda em gavetas, alegorias às "gavetas da memória". Estes novos objetos agora são cheios e não mais vazios. São cheios principalmente das recordações dela, dos seus segredos, que serão compartilhados com o espectador, que poderá encontrar neles também suas lembranças, as únicas que ficam, pois o sistema de propriedade pode ser desfeito de um momento para o outro.

Retornamos assim ao pensamento da modernidade que entendeu o homem como senhor da ruína e da guerra, destruindo para sempre a pretensão de ser animal racional; desde o cartesianismo, o cogito trouxe a dúvida e pôs em crise o saber cuja solução estaria, no que diz Emmanuel Levinas, que aquela traição de si mesmo, pela alienação notada na modernidade, pode ser salva pela experiência da humildade que se completa na ação de se colocar no lugar do outro. Esta experiência do outro é também um leitmotiv da obra da Tânia: do "o que você vê é o que você vê" (Stella) minimalista. Ela insere a necessidade do outro, de um outro que nos observa; sua obra existe somente na presença do eu e do outro (lembrando Josefh Beuys).

Sua obra é um comentário sobre a história da arte: ela parte dos ready-mades de Duchamp mostrando que nada é feito ao acaso, faz a crítica do formalismo minimalista dos anos 60 e chega ao comentário sobre o eterno e o efêmero a partir dos "acumuladores de energia" de Beuys, pois a artista diz se sentir bastante ligada a vasta carga simbólica que pesa sobre o homem contemporâneo. A instalação se completa com a presença de outros objetos que mostram a transição entre o puramente visual e o funcional, do vazio de sentido - mas que ela preencheu com a sua memória - ao objeto carregado de significados.

Arquivo de aço cheio de terra e areia, escrivaninha, armários e gaveteiros que não estão ali por acaso. Há móveis novos e móveis usados num jogo com a metamorfose dos objetos no qual nada permanece.Os móveis usados trazem consigo toda a memória acumulada de uma cultura burocrática ou de um indivíduo que a utilizou, o objeto ainda esta ali, mas o homem (ou os homens) já desapareceu. Dentro das gavetas ou sobre os móveis há terra, areia e por vezes outros objetos que não estão ali simplesmente para completar a composição, eles também trazem junto a sua história: um tubo de ensaio carrega o anel que circulou em Faxinal e que leva a inscrição "só é seu aquilo que você dá", anel este que está associado a uma árvore que continua viva em Faxinal do Céu; sobre a escrivaninha de pés metálicos e gavetas de fórmica (imitando madeira) lê-se a inscrição "Por que você?", esperando que nossa imaginação a complete, ou nos acusando com um " até tu , Brutus".

Numa pequena mesa de datilografia as letras GTCA (das seqüências do DNA) lembram o projeto do Genoma; temos nela a memória da sua história pessoal da mesma forma que DNA é a história da totalidade, tanto do indivíduo como de sua raça. É importante lembrar que DNA é formado por dois ramos de polaridade inversa, talvez também numa relação de alteridade e totalidade.

São sempre claros na obra da Tânia os conceitos de posse e propriedade analisados como se fossem a versão contemporânea do tema das Vanitas vanitatum clássico. Lembram o Manet Unica virtus (só a virtude é durável), e que uma obra nunca é acabada, ela só se completa com a participação do outro, e aquilo que entendemos como o todo nunca é fechado, nunca é acabado.

Da assepsia minimalista chega-se aos ambientes burocráticos repletos de fantasmas, lembranças dos antigos escritórios, dos lugares profissionais, cheios de coisas desnecessárias para o mundo moderno, mas que contam com parte da vida humana daqueles que por ali estiveram, um mobiliário banal que é obrigatório em toda a administração tradicional e que carrega consigo sua memória individual, seja ela boa ou má, e mostram também que seu tempo passou e que tudo é supérfluo.

Tânia nos conta que as coisas mais simples, os fatos mais vulgares, os objetos mais banais, tudo sobrecarregado de memória, de história e de significados, outros mais complexos, mas tudo é possível de ser interpretado, desde que o observador se coloque à disposição para desvendar o mistério de uma obra e participar do ritual do artista. (...).

Fernando A. F. Bini.
Crítico e curador de arte

Versão integral do texto

 

Fotografia: Orlando Azevedo

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