Adriane Pasa

Adriane Pasa

Nascida em Curitiba, em 05/09/1975.
Formada em Gravura, pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em 2000.
É artista participante da Oficina Permanente de Gravura desde 2001.


 



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Sobre seu trabalho e sua trajetória

Minha trajetória teve início com experimentações com desenhos. Em uma série de desenhos a nanquim, ainda no curso da Embap, dei início a uma investigação sobre as formas orgânicas, que por vezes lembram o interior do corpo humano. Sempre me interessei pelo gesto mais solto e desprendido, uma mistura de linhas e aguadas, que ao mesmo tempo constroem uma imagem forte e de cores marcantes como o vermelho e o negro. Na gravura, descobri que tais linhas poderiam ter mais força, e combinadas ao acaso proveniente da técnica, tornariam-se mais ricas em conteúdo e forma.
Meu interesse nesta época esteve voltado para a ponta seca sobre o metal, pois gostava do atrito com a matéria e o modo de como o desenho se comportava, um misto de resistência e entrega, trazendo linhas fortes e "aveludadas".

Com a necessidade de acrescentar matéria e construir áreas mais chapadas nos desenhos, comecei a trabalhar com a técnica do carborundum - um pó de ferro que colado à placa faz o papel de criar texturas e relevos - a qual permitiu grandes possibilidades para a construção das imagens. Hoje minhas matrizes em cobre são quase em sua maioria em água-tinta, carborundum e ponta seca.

As imagens da Série Vermelha (A Fuga, O outro, etc) são desenhos construídos com linhas que lembram formas orgânicas, como se estivéssemos olhando para o interior de um corpo. Ao mesmo tempo não possuem nenhum comprometimento com a ciência e a fisiologia, simplesmente são imagens que remetem a um organismo vivo, mas que podem estar em qualquer lugar, não necessariamente presas dentro de um corpo humano e sim convivendo num espaço imaginário e fantástico. As formas que desenho muitas vezes passam a idéia de fragmentos que desejam se tornar novamente algo inteiro, buscam uma forma de interligar-se. Interesso-me também pelo aspecto tátil das imagens, pela textura e cores vibrantes. Essas gravuras sempre abrem um campo imenso de interpretações, o qual acho muito interessante.

A gravura traz consigo a possibilidade de deixar um registro, como se estivéssemos fabricando memórias e compartilhando-as com as pessoas. Hoje tenho outros interesses, entre eles o de trabalhar a gravura junto com a fotografia. Parece que tudo se divide em duas etapas até o momento: a de dentro para fora e a de fora para dentro.

Minhas gravuras atuais são quase "fotogravuras", feitas a partir da serigrafia sobre o metal, com imagens apropriadas de álbuns de família, emprestadas de amigos, encontradas por acaso, etc. Sempre me interessei por estas imagens prontas, às vezes anônimas, pois parecem pedir para sair de dentro da caixa e serem transformadas, mostradas.

Tais fotos são trabalhadas em computador, onde as transformo em imagens mais sintéticas, eliminando meios tons e deixando-as com aspecto mais denso. As imagens antigas e muitas vezes até apagadas e rasgadas acabam ficando com aparência de imagens "mexidas" porém vigorosas, ou seja, deixam de ser arquivo e lembrança para se tornarem parte de um novo registro. É como se fosse possível regravar a memória, refazê-la. Além de mexer nas imagens digitalmente, uso a ponta seca para fazer interferências, continuo a usar a água-tinta e o carborundum.

O ato de tirar de uma foto de seu lugar e colocá-a em outro, mudando sua condição e seu objetivo, é uma espécie de deslocamento, o qual me interessa muito. Uma foto que estava esquecida em algum lugar, passa a ter um registro permanente no universo da gravura.

Durante toda a minha vida tive uma relação estreita com a impressão. Antes mesmo de pensar em ser artista plástica a impressão já fazia parte de meu cotidiano, pois trabalhei muito tempo com artes gráficas na área de comunicação. Por este motivo passei a usar as possibilidades deste mundo gráfico como caminho e matéria-prima para a produção de meus trabalhos. Já fiz algumas obras em impressão digital, off-set, impressão termográfica, entre outros.

Pretendo continuar uma investigação em outros meios, como impressão holográfica e intervenções urbanas como o outdoor. A imagem impressa é algo fascinante. Ela tem o poder de dar credibilidade a tudo, mesmo quando a imagem não merece crédito.

O artista pode entrar em vários universos através da imagem impressa, pode criar e expor suas idéias em espaços não-convencionais, pode unir diversas linguagens em uma só, pode chegar a vários lugares.

As obras feitas em impressão digital como Encontro com F. e Ausência de R., foram também manipuladas a partir de fotografias, desta vez tiradas por mim e não apropriadas. Procuro trabalhar com imagens de pessoas que conheço e que geralmente são do meu círculo familiar ou de amizade. Gosto da verdade que contém na vida destas pessoas e da possibilidade de falar de coisas que realmente condizem com a minha poética e com os sentimentos e questões do homem contemporâneo.

Nestas duas obras novamente aparece a interferência do vermelho, sempre presente na maioria das minhas composições. Obviamente não é decorativo e sim simbólico, tem uma significação especial, como se desse destaque à natureza íntima e viva das coisas ali representadas.
Tais imagens buscam uma reflexão do ser humano em seu próprio universo, tendo como ponto de partida sua própria visão de mundo, sua imagem como espelho e motivação para um encontro com suas dúvidas e inquietações.

Hoje procuro usar a gravura também em outros suportes, diferentes do papel, a fim de que ela passeie por outros espaços e traga novos significados para objetos do cotidiano, como livros, cadernos de anotações, roupas, etc. Me interesso pela realidade do dia-a-dia das pessoas, tanto pelo frenesi como também pela estagnação em que algumas se encontram, pelas histórias que contam e que às vezes escondem. Tento perceber como posso usar essas coisas em meu fazer artístico.

Em uma de minhas obras mais atuais, intitulada Lágrimas de Cebola, utilizo sete panos de prato para imprimir fotografias apropriadas de um álbum de família de uma amiga, uma mulher comum, dona-de-casa, mãe de família. Por meio da impressão termográfica - a qual permite imprimir em tecidos por meio de uma película impressa digitalmente e que depois é transferida para o pano em uma prensa quente - construí uma instalação onde os panos de prato ficam suspensos em uma linha, com uma foto impressa em cada um deles. É como se o objeto e a vida de alguém tão comum pudesse se transformar em objeto de arte e se deslocar até o espectador, adquirindo outros significados e gerando reflexões.
Acredito que agora é por este fio condutor que minha obra vai caminhar, continuando a usar a gravura, deslocando histórias e invadindo espaços, até que outra indagação venha a surgir.

Técnicas que utiliza em seus trabalhos:

Gravura em metal, serigrafia, fotografia, desenho, manipulação de imagens, impressões em diversas técnicas como xerox, off-set, plotagens, termografia, etc.

 

Sem título.
Série vermelha.

A fuga
Série vermelha.

O outro.
Série vermelha

Sem título
Série vermelha

Sem título.
Litogravura

Sem título.
Litogravura

Sem título
Desenho



Sem título. Da série detalhes de mim.
Gravura em metal

Da série "Das coisas esquecidas"
Gravura em metal

Lágrimas de cebola. (detalhe)
Impressão sobre tecido

Lágrimas de cebola. (detalhe)
Impressão sobre tecido

Ausência

Generoso
Gravura digital

 
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