Maria Cheung
NUI

Nui

Com uma aparência delicada e tímida, Maria Cheung foi mostrando seus trabalhos e logo estávamos falando a mesma língua, isto é, a da sua arte, que traz uma dimensão da cultura chinesa e fala de um feminismo universal.

Persistindo na dialética entre o local (a China em que nasceu) e o global, entre o sujeito(ela mesma) e o objeto (seus pés moldados), entre o real e o imaginário, Maria provoca, expõe o desejo feminino.
Na sua obra, imagem, forma e matriz são figuras, não no sentido figurativo , mas na acepção que Lyontand atribui ao "figural",isto é, pertencente à ordem dos sentidos.

Nas meias finas transparentes, em ligas pretas a calçar os pés brancos, explode uma energia que se move no espaço - tempo sem fronteiras do inconsciente e realça-se a libido na procura de satisfação do desejo.

A dimensão estética de sua obra pertinente aos sentidos é essencialmente poética e visceralmente feminina.
Esta não é uma exposição de quadros , objetos que possam ser adquiridos. Esta é uma exposição onde a arte assume a sua especificidade como linguagem , e as idéias de tradição e cotidiano são expostas em uma nova territorialidade, incorporada de materiais e procedimentos dos mais diversos, que se transforma em algo temporal, que os tornam mais próximos da vida humana e das contingências reais.

Temos assim o prazer de trazer a Natal essa peculiar e instigante obra de Maria Cheung

Ângela Almeida
Diretora do NAC - Núcleo de Arte e Cultura da UFRN

Fonte: http://www.muvi.advant.com.br
Coordenação: Fábio Channe